*Ascold Szymanskyj

No final do ano passado, ultrapassamos a marca de um celular por habitante no Brasil. Hoje já contamos com uma base superior a 215 milhões de linhas habilitadas, de acordo com a Anatel. Destes, os smartphones representaram 10% das vendas em 2010. Para este ano, a previsão é que as vendas de smartphones totalizem 10 milhões de unidades no país. Pela primeira vez na história, as vendas dos celulares inteligentes deverão ultrapassar as vendas de notebooks no Brasil. Já para a América Latina, a consultoria Frost & Sullivan projeta um crescimento superior a 70% para a indústria de smartphones, com 25,8 milhões de aparelhos vendidos na região. 

Mundialmente, esta indústria segue a mesma tendência de expansão. De um total de 220 milhões de unidades em 2010, o mercado de smartphones deve saltar para 2,6 bilhões de aparelhos em 2020, segundo a consultoria IDC. Ou seja, em menos de 10 anos teremos mais equipamentos móveis conectados às redes do que computadores. É importante observar que cada vez mais os celulares estão se transformando em computadores portáteis, onde acessamos e armazenamos informações sensíveis, seja em relação à vida profissional (contratos, pesquisas, apresentações, emails) ou pessoal (documentos, fotos, vídeos, músicas, mensagens etc).

Trata-se de uma mudança de hábitos na utilização da tecnologia, que representa uma nova forma de acessar e consumir conteúdos e produtos a partir de um dispositivo que carregamos conosco 24 horas por dia. Não é à toa que a utilização do celular como meio de pagamento (mobile payment) não pára de crescer. O número de usuários no mundo que efetua compras por meio do aparelho saltará de 116 milhões neste ano para 375 milhões em 2015, segundo projeção da empresa de pesquisas In-Stat.

Também são claras as evidências da contribuição dos smartphones para o grande impulso da banda larga móvel no país, que nos últimos 12 meses obteve um crescimento de 82%, totalizando 42,1 milhões de novos acessos em maio deste ano. Na região da América Latina, a expectativa é que a banda larga móvel supere 63 milhões de usuários até o final de 2011, de acordo com a associação 4G Americas.

Na medida em que este mercado se expande de forma pujante, cresce na mesma proporção as vulnerabilidades associadas aos smartphones, abrindo espaço para que vírus e outros aplicativos maliciosos se instalem e causem sérios danos aos usuários. Um recente estudo conduzido pela consultoria Accenture revela que 73% dos entrevistados se dizem preocupados com a segurança ao realizarem compras online por meio de seus aparelhos móveis. Cerca de 70% dos que responderam à pesquisa disseram que a utilização do celular como meio de pagamento aumenta o risco de fraude e roubo de dados.  

A afirmação faz todo sentido, uma vez que pelo menos um terço dos usuários de dispositivos móveis não está ciente dos riscos e ameaças que afetam esses aparelhos, não possuindo quaisquer mecanismos de proteção em seus sistemas operacionais. Infelizmente, a partir do momento em que você acessa a web ou verifica seus emails utilizando o celular como plataforma você poderá ser alvo de ataques virtuais. O mesmo pode acontecer ao clicar em um link via mensagem recebida por SMS, MMS ou Bluetooth.

Além do risco de ter vírus e malwares instalados no dispositivo, a principal ameaça está em uma nova modalidade de criminosos cibernéticos: os crackers, cuja principal motivação é o roubo de dados pessoais para uso indevido, sobretudo dados cadastrais e senhas utilizadas em transações financeiras. Um recente estudo promovido pela F-Secure revela que existem mais de 538 tipos de malwares para os diferentes sistemas operacionais presentes nos smartphones. Mais que a perda ou dano ao seu celular, o usuário deve se preocupar com o que realmente jamais poderá ser substituído: seu conteúdo.

Você já verificou se o seu celular possui algum mecanismo de proteção? Pense nisso, agora mesmo!

*Ascold Szymanskyj é Vice-Presidente de Vendas e Operações da F-Secure para a América Latina

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