
*Por Monica Pasello
A inteligência artificial já ocupa o centro do debate educacional. Até agora, grande parte das discussões se concentra em como ela transforma o ensino com novas ferramentas, formatos de conteúdo e possibilidades pedagógicas. Mas uma mudança acontece em paralelo e ainda recebe menos atenção: a forma como entendemos a mensuração da aprendizagem. Se a inteligência artificial já é capaz de produzir respostas completas em segundos, avaliar aprendizagem deixa de ser apenas verificar resultados e passa a exigir a observação de processos como raciocínio, interpretação e construção de sentido, inclusive no que tange o ensino de idiomas.
Toda transformação educacional começa por uma pergunta diagnóstica: o que queremos observar e medir no processo de aprendizagem? Antes de decidir como ensinar, é preciso definir o que importa acompanhar neste processo. Quando conseguimos fazer essa análise, o restante do sistema muda junto. E a inteligência artificial nos coloca exatamente nesse ponto.
Durante décadas, modelos de mensuração educacional foram desenhados para um contexto em que aprender significava acessar informação e demonstrar retenção. Hoje, a IA generativa produz textos, análises e respostas complexas em segundos, e, com isso, torna-se mais do que necessário novos sistemas para compreender a aprendizagem de fato e como ela se dá. A tecnologia não elimina a necessidade de avaliar, mas evidencia limites dos modelos tradicionais.
Em levantamento da RAND Corporation realizado com mais de 1,2 mil jovens entre 12 e 29 anos nos Estados Unidos, o uso da IA para ajudar nas tarefas escolares saltou de 48% para 62% ao longo de 2025. Ao mesmo tempo, 67% dos estudantes afirmaram acreditar que o uso excessivo dessas ferramentas pode prejudicar o desenvolvimento do pensamento crítico.
Nesse cenário, a pesquisa volta ao centro da discussão educacional. O que vemos é a necessidade do uso de inteligência artificial ser tratado como continuidade de décadas de investigação sobre aprendizagem e mensuração educacional. Nesse sentido, já encontramos no mercado parcerias acadêmicas, que buscam aproximar pesquisa e prática, traduzindo evidências em aplicações concretas para instituições e organizações.
Uma das principais conclusões dessas discussões é que processos avaliativos tendem a deixar de ser eventos isolados para se tornarem acompanhamentos contínuos. Em vez de registrar apenas um momento de desempenho, passam a oferecer sinais ao longo do tempo sobre o progresso, as dificuldades e o desenvolvimento de competências. Com o apoio da inteligência artificial, também se torna possível criar avaliações de forma mais ágil, adaptar o nível das atividades conforme o desempenho dos estudantes e acompanhar o processo com mais segurança e confiança nos ambientes digitais.
A IA torna esse modelo viável. Sistemas adaptativos ajustam níveis de dificuldade em tempo real e ampliam a capacidade de criar instrumentos consistentes, mantendo critérios de validade e comparabilidade. Mais do que eficiência tecnológica, trata-se de aproximar a mensuração da realidade diversa dos aprendizes.
Ao mesmo tempo, surgem responsabilidades proporcionais ao impacto dessas tecnologias. Resultados diagnósticos influenciam trajetórias acadêmicas e profissionais, o que exige sistemas transparentes, auditáveis e supervisionados por pessoas. A confiança continua sendo elemento central, independentemente da tecnologia utilizada.
Outro efeito desse cenário é a necessidade de desenvolver alfabetização em inteligência artificial. Não apenas saber usar ferramentas, mas compreender seus limites e interpretar resultados de forma crítica. No campo da proficiência linguística, por exemplo, exames amplamente utilizados no mercado internacional, como o TOEIC, passam a coexistir com ambientes profissionais em que a comunicação ocorre cada vez mais mediada por tecnologia. Medir o domínio de um idioma passa também por compreender como indivíduos utilizam competências comunicativas em contextos digitais e híbridos.
A questão central, portanto, não é o que a inteligência artificial fará com a educação, mas como especialistas em aprendizagem e mensuração irão utilizá-la para compreender melhor o desenvolvimento humano, o objetivo que sempre esteve no centro da educação.
* Monica Pasello é CEO da TOEIC Brasil.
Sobre a TOEIC Brasil
A TOEIC Brasil é a representante oficial no país do TOEIC (Test of English for International Communication), certificação internacional desenvolvida pela ETS (Educational Testing Service), organização global reconhecida por sua excelência em avaliações educacionais. No Brasil, atua na aplicação e distribuição dos exames, oferecendo soluções de mensuração de proficiência em inglês para empresas, instituições de ensino e profissionais, com foco em empregabilidade, desenvolvimento acadêmico e mobilidade internacional.
Com avaliações práticas, rápidas e reconhecidas mundialmente, a TOEIC Brasil apoia pessoas e organizações na comprovação e no desenvolvimento da comunicação em inglês em contextos reais. O TOEIC é utilizado em 180 países, por cerca de 14 mil organizações, e realizado por mais de 8 milhões de pessoas todos os anos. No mercado brasileiro, a operação já soma mais de 80 mil testes aplicados em três anos.
Seu portfólio inclui o TOEIC, voltado à comunicação em inglês no ambiente profissional e no cotidiano; o TOEIC Bridge, direcionado desde estudantes, até profissionais dos níveis iniciante e intermediário; e o TOEIC Link, solução moderna de avaliação com aplicação em cerca de 90 minutos e resultados em até 48 horas. Sem reprovação, apenas evolução, os exames permitem mensurar a proficiência do nível básico ao avançado e apontar caminhos concretos de desenvolvimento.
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13/04/2026

