IA e dados na infraestrutura pública: o desafio é técnico, mas também é de comunicação

Inteligência artificial e dados já deixaram de ser promessa na infraestrutura pública. O debate agora não é mais se a tecnologia será adotada, mas como estruturá-la de forma viável, responsável e estratégica. Esse foi o pano de fundo do painel que acompanhamos no P3C, no dia 24 de fevereiro. Saímos de lá com a percepção clara de que o debate amadureceu. 

Existe uma dificuldade real da administração pública para contratar soluções inovadoras. Os modelos tradicionais de contratação são, muitas vezes, engessados e pouco aderentes à velocidade que a tecnologia exige. Ao mesmo tempo, ficou evidente que não é necessário depender exclusivamente de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para implementar IA. É possível estruturar concessões e contratos que já integrem modelos de inteligência artificial desde a origem.  As discussões indicaram que o problema não é ausência de alternativas, mas falta de estruturação adequada e, em muitos casos, receio de inovar. 

A regulação também precisa ser responsiva, segundo os painelistas. Se a cada nova tecnologia a reação for paralisar por insegurança, a escalabilidade nunca acontece. Nem todo dado é sensível, e tratar tudo como inviável pode comprometer projetos antes mesmo de começarem. 

Outro ponto importante abordado é que o setor público não sofre com falta de dados. Há sensores espalhados pela infraestrutura urbana, históricos extensos e contratos acumulados ao longo de anos. O desafio está em estruturar essas informações, unificar bases fragmentadas, organizar legados e tornar o dado utilizável. Ter dados não resolve nada se eles não estiverem preparados para análise. Uma estratégia de IA fragmentada aumenta risco e reduz eficiência. 

Foram discutidos, ainda, exemplos bastante concretos de aplicação. IA pode apoiar o controle de tráfego com análise de grandes volumes de sensores, ampliar a capacidade de equipes técnicas reduzidas por meio de LLMs, reduzir custos operacionais, apoiar auditorias contratuais, melhorar predição e resposta a eventos críticos e qualificar o planejamento com base em históricos consolidados. Não se trata de substituir pessoas, mas de apoiar decisões com mais informação e velocidade. 

Talvez o ponto mais sensível seja a maturidade. Não é apenas a regulação que precisa evoluir. O gestor público precisa estar preparado para contratar IA, e o servidor deve entender o escopo do que está utilizando. Muitas vezes há receio de usar, medo de errar ou insegurança sobre a tecnologia. Isso acaba travando o avanço. 

Inteligência artificial e dados são ferramentas de suporte à decisão. A responsabilidade continua sendo humana, inclusive a decisão de quando usar e quando não usar. Para que isso funcione, é fundamental investir em capacitação, formação técnica contínua, clareza estratégica e um plano diretor consistente. Sem esses elementos, a tendência é acumular pilotos isolados que não escalam, de acordo com os porta-vozes do painel. 

O movimento mais relevante talvez seja a transição da gestão reativa para a gestão preditiva. Ainda hoje muitos gestores não utilizam plenamente os dados disponíveis. A proposta é usar IA para tomar decisões mais conscientes, antecipar cenários e responder com mais agilidade. Para isso, é indispensável construir bibliotecas de dados organizadas, atualizadas e aderentes à realidade operacional. Antes de qualquer debate regulatório mais amplo, a tecnologia precisa funcionar na prática. 

A mensagem final foi a de que não podemos abdicar da soberania humana. IA é tecnologia, ferramenta e suporte. Mas quem decide continua sendo o humano. O maior risco hoje talvez não seja a tecnologia em si, mas o medo de utilizá-la ou a falta de preparo para extrair valor dela. 

Para nós, na Sing, esse debate não termina na tecnologia. Ele passa necessariamente por comunicação, clareza estratégica e capacidade de traduzir temas complexos para tomadores de decisão. Se IA e dados são a nova infraestrutura invisível da gestão pública, nosso papel é ajudar a organizar a narrativa, estruturar o posicionamento e conectar inovação a impacto real. Porque transformação não acontece só quando a tecnologia existe, mas quando ela é compreendida, comunicada com responsabilidade e integrada à estratégia. 

Por Letícia Riente. 

26/02/2026

Sing Comunicação - Agência de PR no Brasil, México e Latam, especializada em tecnologia, inteligência artificial, assessoria de imprensa, gestão de reputação de marcas e estratégias de mídia para empresas globais.

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