
*Por Sonia de Almeida
Mulheres e tecnologia ainda é uma combinação que enfrenta desafios. Com a constante evolução nos últimos anos, é importante que, para além do acesso ao consumo de tecnologia, as mulheres tenham garantia de poder fazer parte ativa na criação nesse setor.
O avanço da participação feminina na tecnologia é um sinal importante de mudança. Segundo relatório da Brasscom de 2024, a representação de mulheres no setor cresceu 7,7% ao ano entre 2020 e 2023, um movimento que demonstra interesse crescente e abertura gradual das empresas. Apesar disso, esse número está longe de refletir o potencial e a importância da inclusão de mais mulheres nesse ecossistema estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país.
A tecnologia não apenas molda o futuro, mas define oportunidades, cria soluções para problemas globais e impacta diretamente todas as áreas da sociedade. Quando mulheres estão sub-representadas nesse processo, perdemos diversidade de pensamento, inovação e perspectivas que poderiam transformar produtos, políticas e modelos de negócio.
Para avançar, é necessário encarar que a porta de entrada ainda é estreita. Meninas são menos incentivadas a seguir carreiras STEM, termo inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, falta representatividade nos cargos de liderança e o ambiente corporativo ainda pode ser hostil ou pouco preparado para garantir equidade. Capacitação contínua é um caminho essencial, mas não pode recair apenas sobre as mulheres. É preciso que empresas, instituições educacionais e o terceiro setor invistam em políticas de formação, programas de mentoria, bolsas, hubs de inovação inclusivos e trilhas de desenvolvimento pensadas para combater barreiras estruturais.
Também é urgente fortalecer iniciativas que promovam o primeiro emprego e a ascensão profissional feminina em tecnologia. Não basta formar, é preciso contratar, promover e dar visibilidade. Equipes diversas constroem soluções melhores, atraem novos talentos e ampliam o impacto das organizações. O que está em jogo não é apenas o futuro das mulheres no setor, mas a qualidade e o alcance da tecnologia que produzimos.
O crescimento apontado pelo relatório da Brasscom é um bom sinal, mas não deve ser encarado como ponto de chegada. Ele representa apenas o início de um movimento que precisa ser fortalecido com políticas, investimentos e compromisso coletivo. Só assim será possível construir um ecossistema realmente inovador, sustentável e capaz de refletir a pluralidade da sociedade que pretende atender.
*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.
Sobre a Afesu
Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna. Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas.
A Afesu mantém uma sólida rede de parcerias com mais de 50 empresas e instituições — como WEG, Porto, Craft, Schneider Electric, Instituto Ambikira — que colaboram para a formação humana e iniciação profissional das beneficiárias. A organização também já recebeu diversos reconhecimentos por seu impacto social e por sua contribuição à educação de qualidade e equitativa no Brasil.
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23/01/2026

