Quando mulheres têm dinheiro, voz e repertório, elas mudam tudo

Participei, pela Sing, do evento “Dia da Mulher Aberje 2026 – Histórias Inspiradoras”, promovido pela Aberje. Entrei esperando uma boa conversa e saí com aquele tipo de inquietação que é rara: a que não fica apenas na reflexão, mas provoca vontade de ajustar rota. 

O encontro reuniu Denise Damiani, consultora; Maria Carolina Medeiros, professora da FGV Comunicação e pesquisadora de narrativas sobre mulheres; e Vivian Rio Stella, idealizadora, professora e curadora da VRS Academy. A mediação foi de Douglas Cantu, gerente de eventos da Aberje. Juntos, abriram um espaço de diálogo sobre igualdade de gênero e comunicação com participantes de diferentes regiões do Brasil. 

O que mais me marcou foi que a conversa não ficou apenas no “discurso certo”. Ela foi para o concreto, para aquilo que realmente molda trajetórias: dinheiro, voz, repertório, desconforto e poder. 

Denise Damiani trouxe uma constatação direta, dessas que muitas vezes sabemos, mas evitamos encarar: muitas mulheres não têm dinheiro guardado. E isso não é apenas um detalhe de finanças pessoais; é um ponto de partida para discutir autonomia. Quando mulheres têm independência financeira, ampliam sua capacidade de escolha e o impacto que exercem em suas comunidades. A reflexão que ficou no ar foi clara: falar de diversidade também significa falar de poder. E poder, inevitavelmente, questiona estruturas, prioridades e decisões dentro das organizações. 

Vivian Rio Stella trouxe uma perspectiva igualmente provocadora ao abordar o tema da comunicação. Em sua trajetória, percebeu que a percepção sobre a fala feminina muitas vezes é diferente da forma como a fala masculina é interpretada. A questão, portanto, nem sempre está em como as mulheres falam, mas em como são ouvidas. Um ponto particularmente marcante foi a discussão sobre pesquisas que indicam que muitas mulheres evitam perguntas ou posicionamentos que possam gerar desconforto. Essa autocensura sutil tem um custo, não apenas individual, mas coletivo, porque ambientes evoluem justamente quando há espaço para questionamento e tensão construtiva. 

Já Maria Carolina Medeiros trouxe uma reflexão que parece simples, mas tem implicações profundas: o conhecimento empodera. Ao falar sobre clubes de leitura dedicados a autoras mulheres, destacou um ponto incômodo, porém necessário: não são apenas os homens que leem pouco as mulheres; muitas vezes, as próprias mulheres também não as leem. Isso revela muito sobre quem se torna referência e quem permanece à margem do repertório intelectual. Valorizar e consumir produção feminina é também uma forma de ampliar vozes e consolidar novas referências. 

Ao final do encontro, ficou evidente que, apesar das diferenças de trajetória e contexto, existe um campo comum de experiências e desafios que conecta mulheres em diferentes espaços profissionais. Reconhecer esse ponto de encontro não significa apagar individualidades, mas fortalecer uma rede de apoio, aprendizado e transformação. 

Saí do evento com a sensação de que o aspecto mais inspirador foi justamente o mais pragmático: igualdade não se constrói apenas com discursos ou datas comemorativas. Ela se sustenta em prática. Em autonomia financeira, em liberdade para perguntar, em repertório intelectual diverso e em organizações dispostas a lidar com diversidade não apenas como tema, mas como redistribuição real de poder. 

Foi um encontro que reforçou algo essencial: esse espaço também é nosso. E ocupá-lo exige esforço, mas transforma o jogo. 

*Por Isadora Fernandes 

 09/03/2026

 

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