Energia, códigos e poder: por que o futuro do setor elétrico será decidido por algoritmos e deep techs

*Por André Sih

Durante décadas, falar de energia significava falar de usinas, linhas de transmissão, subestações, torres, cabos e obras de infraestrutura pesada. Esse imaginário continua válido, mas já não é suficiente para explicar onde está, de fato, o centro de gravidade estratégico do setor. Impulsionada pela inovação de fronteira das deeptechs, hoje a energia também é software, código e algoritmo e, cada vez mais, é decisão automatizada em tempo real.

Não se trata apenas de código, mas de modelos matemáticos capazes de processar fluxos massivos de dados em milissegundos, aprendendo padrões invisíveis ao olho humano. São os algoritmos que transformam sinais de sensores em previsões probabilísticas, otimizam o fluxo de energia em redes congestionadas e coordenam respostas autônomas em cenários de estresse.

Além disso, o que está em curso é uma mudança estrutural. A energia está se tornando uma infraestrutura ciberfísica, na qual elétrons e dados circulam em interdependência permanente. Nesse novo arranjo, a inteligência computacional é capaz de interpretar milhões de sinais, prever falhas, equilibrar oferta e demanda e coordenar respostas instantâneas em sistemas cada vez mais complexos.

Sensores, medidores inteligentes e plataformas de gestão de ativos se tornaram elementos centrais da operação. Em vez de um fluxo unidirecional, temos agora uma malha dinâmica.

É nesse contexto que a chamada IA física ganha relevância estratégica. Trata-se do uso de inteligência artificial aplicada diretamente a sistemas do mundo real, conectando modelos computacionais à operação de ativos físicos. No setor energético, isso significa integrar algoritmos à leitura de sensores, ao comportamento de equipamentos e à dinâmica de redes e infraestruturas críticas. Um exemplo concreto dessa integração é o uso de robôs ou drones autônomos equipados com IA, que podem realizar inspeções em linhas de transmissão, parques eólicos e usinas sem intervenção humana. Por meio de visão computacional e sensores térmicos, esses sistemas identificam falhas como corrosão, superaquecimento ou vegetação intrusa em tempo real.

Na prática, isso se traduz na capacidade de atuar sobre turbinas, baterias, inversores, transformadores, consumo industrial, microrredes e cadeias logísticas com base em modelos que aprendem, preveem e otimizam continuamente. Trata-se da intervenção com precisão crescente, na forma como a energia é gerada, distribuída e consumida.

Essa transição, no entanto, traz um ponto importante a ser pensado: se o funcionamento de uma infraestrutura essencial passa a depender de softwares, chips, protocolos, serviços em nuvem e modelos, é importante que o investimento no setor de desenvolvimento seja constante. É justamente nesse espaço que as startups de formato deep tech se tornam decisivas. Diferentemente de modelos de negócio baseados apenas em interface, escala comercial ou intermediação digital, deep techs emergem de ciência, engenharia avançada e pesquisa aplicada. Elas operam em fronteiras tecnológicas com maior densidade de conhecimento, maior barreira de entrada e impacto estrutural mais profundo.

Segundo o relatório Deep Tech Radar 2025, com mais de 952 deep techs, o Brasil vem se consolidando como referência na América Latina no surgimento e na estruturação desse ecossistema.

No setor de energia, isso significa empresas desenvolvendo novos materiais, como soluções de armazenamento, sensores inteligentes, gêmeos digitais, otimização por IA e plataformas de integração entre hardware e software.

Essas empresas estão redesenhando a cadeia de valor da energia porque deslocam a inovação para os pontos mais críticos e sofisticados do sistema. Ao invés de apenas “digitalizar processos”; elas reconfiguram a forma como a energia é gerada, armazenada, distribuída, comercializada e consumida.

Se bem orientado, esse ecossistema pode posicionar o Brasil não como mero importador de soluções para a transição energética, mas como produtor de tecnologias críticas em energia, software e inteligência física.

Mas essa oportunidade não se materializará espontaneamente. Exige visão estratégica, soluções tecnológicas consistentes, regulação que favoreça experimentação, capital paciente, e maior aproximação entre concessionárias, centros científicos e startups.

Exige, sobretudo, que o debate energético deixe de ser tratado apenas como tema de infraestrutura e passe a ser compreendido também como tema de arquitetura computacional e inteligência industrial.

*André Sih é Founder & Managing Partner da Fu2re.

Sobre a Fu2re

A Fu2re é especializada em soluções de inteligência artificial que transformam operações e otimizam processos nas indústrias de energia, saneamento, óleo e gás. Primeira startup acelerada pela NVIDIA no Brasil, com uma equipe altamente qualificada, desenvolve tecnologias de ponta, como o SmartVision AI, uma plataforma no-code que combina visão computacional e IA e permite novos treinamentos e/ou atualizações rápidas nos modelos de inteligência artificial. Tendo recebido, em 2025, o aporte da Copel Ventures (gerido pela Vox Capital) e Indicator Capital, gestora early-stage de venture capital líder em deep-tech, a Fu2re se destaca por entregar resultados mensuráveis e assertivos, atendendo às necessidades específicas de grandes empresas. Ocupa o primeiro lugar no Energy Summit MIT e está na lista dos 100 Mais Influentes de Energia 2025, consolidando-se como referência em inovação e transformação digital.

Site: www.fu2re.com.br

 

Sing Comunicação – Assessoria de imprensa da Fu2re no Brasil.

Contato para imprensa: fu2re@singcomunica.com.br

25/03/2026


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